quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Falou o dia,calou a noite


Era segunda feira e tudo começara estranho para ela,assim como toda segunda é estranha e pacata para 99% da população.Provavelmente durante o dia não acontecera nada que fosse inesquecível ou algo do tipo.Apenas afazeres,preocupações,músicas e dúvidas.Mas sua noite veio trazer a resposta do dia estranho.

Tudo passa,tudo muda e do futuro nada sabemos.Às vezes pensamos saber,queremos que tudo seja como nós desejamos,mas na verdade mínimas coisas acontecem e muitas não acontecem.

Entrou no ônibus de cada dia,o transporte coletivo mais usado aqui no interior e também um dos mais lentos veículos de transporte e ficou observando tudo o que se passava lá fora,naquele escuro que os olhos não podiam ver,mas a imaginação tomava conta de tudo e o que os olhos não podiam ver era o que a fazia insistir em viver.

Ruas silenciosas ouviam os seus passos até chegar ao tão esperado lar,o descanso,o refúgio, a família.Era de se esperar que as portas estivessem fechadas,mas não esperava que não havia ninguém que a esperasse naquela noite.

Estudante de letras,sozinha em frente a própria casa o que lhe restava era respeitar as variantes lingüísticas que estavam próximas,aparecendo entre a neblina da noite,sob luzes de postes acesos que iluminavam pequenas mudas de árvores plantadas na semana passada.Um casal nordestino,no interior de São Paulo deu início a uma discussão que para ela foi um grande susto.Desesperada, enquanto a briga ainda corria “bem” ,começou a bater na porta,tentando colocar as mãos por entre o vidro e virar as chaves.

O motivo da tal briga era simples,desses que nós sempre vemos na TV ou em qualquer lugar,até mesmo em nossa rua: Um homem casado indo até a casa de uma vítima de suas artimanhas de conquista,grávida do mesmo e sua esposa com uma criança(provavelmente seu filho) no colo impedindo-o de ir até o rumo planejado.

Enquanto ela virava as chaves,ouvia atentamente a história.

Enfim os dois seguiram sentido contrário ao que seria o destino do marido naquela noite, ou seja,voltaram para casa para serem felizes ou não,para sempre ou enquanto durar.

Conseguiu entrar no seu lar doce lar perguntando-se o sentido daquilo tudo.Nada é por acaso,pensava.Por um instante disse em voz baixa o que a alma ouvia como se houvesse ali um alto falante:

- Como tudo seria diferente se as pessoas tivessem em que e em quem confiar.Se as pessoas parassem para pensar que existe um propósito e atrás dele há um grande Escritor,o Criador de todas as coisas.Tudo seria diferente se ao nosso lado existissem pessoas com ideais diferentes dos padrões que o mundo impõe ensinando-nos coisas que levaríamos para sempre.Como tudo mudaria se as pessoas tivessem Deus,não apenas na mente,no papel ou na boca e sim na vida,no coração e na alma.

Após buscar respostas e elaborar perguntas,encostou o rosto sobre o travesseiro,fechou os olhos,lembrou do dia,dos fatos,do medo,da história e para ela inventou um final feliz e pensou na terça que viria,já tentando saudá-la,caso tivesse também algo para lhe dizer e ensinar.



Para Aline Poeta Michetti,com carinho.


Foto:1000imagens.com
Texto:Ana

5 comentários:

Pri C. Figueira disse...

Quantas vezes já me peguei fazendo isso?? No caminho para casa, na ida ao trabalho e como nesses momentos Deus fala ao meu coração!!
Como seu texto diz, tudo seria diferente se todos tivessem Deus, não da boca para fora, ou dizer que crê, mas gravado e marcado no seu coração!!

Ótima reflexão!!!

Bjus

Ana disse...

texto lindo!
adorei

mil bjxxx
XD

Luder disse...

ana, nossa, q texto lindo... as vezes tento entender o mundo, a realidade é q o mundo precisa de amor, amor ? sim, precisam do maior amante do universo, papai do céu...mais as pessoas não o querem...seria tao bom se as pessoas buscassem conhecer a Deus como vc disse... não apenas ser mais um religioso, um grande amigo diz: a religião escravisa o evangelho(a verdade)liberta...



muito lindo o texto... encantado...

abraçus

Luder disse...

a proposito, desculpe a demora... e muito obrigado pela visitinha...

adorei vc moça...

beijos

aline Michetti disse...

Mesmo a tendo presente em meus presentes dias , lembro-me com saudades de como foram aqueles !

Amo vc menina Raquel !