sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Antônimos

No silêncio,
a falta e a sobra juntam-se
e confundem-se,embaralham-se
e se abraçam com força.

E gritam:
- Não nos olhe!
E para a alma:
- Não nos sinta!

Mas lá dentro há muita falta.
E a sobra se apavora
quando o coração lhe diz:
- És pequena diante da falta!

E a sobra,sobra.

Falta e sobra desprendem-se e
desentendem-se.
A sobra procura outro abrigo,
e fica na fila para as sobras do ano que
vem.

E ali dentro a falta domina,
e a cada dia,ela manifesta-se
em meu ser.



::Ana::

14 comentários:

Pri C. Figueira disse...

Ana,

Ah, senti-me assim, em meio ao meu silêncio esses dois sentimentos se entrelaçaram...
No íntimo a falta insistia em permanecer e a sobra não havia mais força. Foi quando uma doce melodia eu ouvi que fez a falta fugir por mais que por horas ela tentasse manifestar-se!

Bjus linda poetisa!

O Profeta disse...

Esta humilde folha solta
Este Vento que fala docemente
Abre-se a alegria da terra
Ai este Sol de sorriso presente

Um manto tecido pelas brumas da manhã
Uma mão segue o Sol outra a emoção
O orvalho que dança no celeste
Ganha a cor da exaltação



Convido-te a pintares o teu olhar com as cores do arco-íris


Bom fim de semana




Mágico beijo

jeffao_araujo disse...

dois sentimentos totalmente contrários mas que encontram um perfeito significado quando mergulhados no mais profundo de nossa alma.
lindo texto.

David Monsores disse...

Kra, espetacaular isso!!
A falta e a sobra, tentam-se juntar mas a sobra acaba sobrando e a falta continua faltosa.

Engraçado, falar de palavras que são quase adjetivos como sendo indivíduos.

A natureza da sobra é sobrar e a da falta é faltar!

Linda poesia!
BeijO!

Gaby Soncini disse...

Belíssima poesia.

Achei muito legal o jogo de palavras e a forma de sua poesia.

E o que você quis dizer sinto intesamente dentro de mim.

Beijos !!!

Ótimo blog.

gabrielasoncini.blogspot.com

Luísa disse...

Fabuloso!
Simplesmente oportuno num momento em que até as coleccções de pronto a vestir mostram sobras de preto e cinza, na falta de cores mais gaiatas. Eis os efeitos desta crise, nas prateleiras duma qualquer loja, onde tudo sobra porque o dinheiro faz falta!

Sarah Toledo disse...

ana!

acho que já disse isso pra vc, e sempre digo quando leio poemas. que eu gostaria de ter mais sensibilidade para comentá-los. ou pelo menos gostaria de traduzir em palavras aquilo que entendi, ou o quanto me senti tocada lendo poemas como esse seu. acho que ainda sou um tanto tosca, uma fiona da vida, hahaha... mas não pense que minha falta de comentário é por falta de atenção. leio cada palavra sua com muita, muita atenção.

besos.

Garota devaneio disse...

não tenho palavras pra dizer o quanto eu gostei

Dani Santos disse...

As palavras me faltam agora, e sobram
os ecos de teus versos em mim, tocando o que em mim é falta, é vazio apenas.

Abraços e arco-íris em teus caminhos...

Eduardo Trindade disse...

É a própria contradição humana - eu não seria original dizendo isso, mas tu és original pela maneira como colocas teus sentimentos neste papel-virtual-internético.
Lembrou-me O Teatro Mágico: "Sobra tanta falta". Será que já ouviste essa canção?

Ramon de Alencar disse...

...
-Eu adorei estas palavras, muito... me foram pessoais...
E sim, há um jogo entre elas, e brincaste bem com os seus significados...

Lindo mesmo...

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Very good!

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