quinta-feira, 4 de junho de 2009

Canto de saudade

Era de canto que o homenzinho vivia.E de mexilhões no peito que amava sem querer.Era de invento que soprava as notas e virava canção de sonho.Não dava passos que completassem perguntas, revirava interiormente em mil.E cantava.Como pássaro azul em fotografia negra.Cantava como criança de açúcar em lágrimas temperadas com sal.Sentia escuridão em seus desejos...mas qual de nossos desejos não há toques de nãos que anseiam por si só serem pretos e vazios,quando estão próximos das realizações?
Seus ombros suportavam os gritos e os sussurros falhos de uma vida incerta,cheia de pretéritos imperfeitos e incompletos,fantasiando-se de futuros ladrões.Roubavam pétalas de seu jardim.E as flores tornavam-se nuas,fazendo doer a solidão e a saudade de uma cor numa pétala da alma.
- Dá-me cores para colorir meu peito? - dizia a si mesmo,sem saber que ali dentro havia algo além do que um arco-íris,esperando passar a chuva para ser contemplado,sob os resquícios de um sentimento iluminado por raios de sol.



A todos os artistas que passaram por mim e deixaram desenhos e cores inapagáveis.

8 comentários:

Pri C. Figueira disse...

Ana, minha linda!

Como é bom novamente ler suas palavras!
Ah, que saudades estava de ser colorida por suas tão belas!
Sim! Sem dúvida, seus textos, suas reflexões, suas poesias deixaram marcas profundas em mim. Marcas essas impossíveis de serem apagadas!
Quantos arco-iris surgiram após eu ler suas doces palavras!

Saudades eu estava daqui!

Que Deus continue te dando tão belas e tão intensas palavras e que Ele continue a te usar a cada frase!!!

Bjuuuu e um enoooorme abraço!

David Monsores disse...

Olá!
Aquilo que é saudade é também esperança, o peso nos ombros e os nãos nas palavras aumentam a necessidade de banhar-se na poesia, no colordido e escorregar no arco-íris.
Ótimo conto, texto, poesia, enfim, essas definições não importam muito. Importa a beleza dessas palavras!
beijO grande!

Sempre parece que (...) disse...

Pois é Ana,mais uma vez me encantei com o que você escreveu aquii.

Realmente há momentos escuros em que precisamos de ombros que suportam nossas lágrimas que ensiste cair sobre a face, mas não devemos esquecer que o sol sempre virá amanhã, seja dia nublado, ensolarado, ou o céu limpo, NÃO IMPORTA, o sol sempre vem para clarear os lugares frios e vazios de um dia escuro....

PARABÉNS MADRINHA ESTÁ MUITO BOM.♥

Quixote. disse...

Ana,

Há tempos não lia algo tão simplesmente bonito e irretocável...
Parabéns.
abraço

Quixote.

Bassi disse...

dentre de teus versos viajo nas palavras e nas silabas,complexo és oq tu keres que seja,continue assim ana,muito bom
bjao

Mauri A. Oliveira disse...

Senti muito desse homenzinho em mim... talvez pela impressão da falta de cores. Estava com saudades de ler-te, como sempre, lindas palavras :) bjoss!!

Eduardo Trindade disse...

Muito líricas as tuas palavras! Agradam o coração...
Fiquei me perguntando: como terminará esta história?

PS: Recebi tua carta, tão carinhosa! Estou numa correria louca aqui, mas assim que tiver um tempo eu respondo!

Ramon de Alencar disse...

...
-''E de mexilhões no peito que amava sem querer''

Isso foi assim... lindo!
Com todo o peso e respeito da palavra...

Sim, houve uma identificação, um espelho...